Cidinha de Almeida – O Afilhado Do Senhor Das Serpentes (Letra & Video)

O Afilhado Do Senhor Das Serpentes – Cidinha de Almeida Letra

Nas margens de um rio de sombras esquecidas

Onde o tempo se perde em voltas recorrentes

Nasceu um menino, de escolhas divididas

Tendo por padrinho o senhor das serpentes

Não houve batismo com água da fonte

Mas um pacto selado em chama de brasa

O diabo, em pessoa, riscou o horizonte

E disse ao afilhado: O mundo é sua casa

Cresceu o rapaz com a sorte na mão

O ouro brotava onde ele pisava

Tinha o poder da persuasão e o domínio da sedução

E tudo o que queria, o abismo lhe dava

Mas quem tem a sombra por guia fiel

Sente o frio do pacto em cada estação

O céu, para ele, era apenas um véu

Pois dentro do peito pesava a solidão

O afilhado, porém, de astúcia tamanha

Sabia que a alma é o preço final

Jogou com o mestre, em uma estranha fachada

Num jogo de dados, o bem contra o mal

Dizem que venceu por um triz, por um nada

O contrato rasgado em cinza e fumaça

E embora vivesse uma vida dourada

Ficou-lhe a marca, a eterna desgraça

Pois quem foi afilhado de tal soberano

Não busca o perdão, nem almeja o clarão

Vagueia entre o mito e o resto humano

O homem que venceu, mas perdeu o chão

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