A Magia Do Comum – Cidinha de Almeida Letra
Itabira no horizonte, um ferro no peito e na mão
O menino observava o mundo pela fresta do portão
Não preciso de grandes feitos, nem de mar a navegar
Bastou o café, a costura e o tempo a devagar
Uma vida que corre calma, uma rotina que nos seduz
Drummond não viu banal, a luz mais intensa
É a magia do comum, o detalhe que a gente esqueceu
A poesia que nasce quando o Sol amanhece
Entre a pedra e a rua, entre o medo e o amor
Ele escreveu o tempo, com precisão e com dor
Carlos, poeta atento, que nos ensina a olhar
Que até no silêncio, há algo pra se cantar
Eta vida besta, ele disse, entre a ironia e o afeto
De mãos dadas com a gente, num compromisso concreto
Não fugiu do presente, nem das dores da multidão
Transformou o verso bruto, em pura pulsação
Seja no doce da mãe, ou na busca pelo que é raro
Ele fez a vida inteira, um eterno desamparo
E se o verso não vem? Se a pena trava no papel?
Ele esperou o momento, entre a terra e o céu
A palavra que se procura, é a própria caminhada
Não se perde quem busca, na estrada iluminada
É a magia do comum, o detalhe que a gente esqueceu
A poesia que nasce quando o Sol amanhece
Entre a pedra e a rua, entre o medo e o amor
Ele escreveu o tempo, com precisão e com dor
Carlos, poeta atento, que nos ensina a olhar
Que até no silêncio, há algo pra se cantar, memória de um mundo antigo, guardada no olhar
Um pouco de Itabira, pra gente nunca esquecer de voltar
Carlos, a poesia é o agora
Carlos, o tempo não vai embora