Grito De Liberdade – Cidinha de Almeida Letra
Lá na Grécia antiga, tudo começou
De seiscentos a quinhentos antes de Cristo, o povo cantou
Agradecendo aos deuses pelo chão e pela plantação
A fertilidade da terra virou celebração
Mas o tempo passou, Roma e Grécia mudaram o tom
Bebidas e excessos não eram vistos como algo bom
A Igreja condenou a dança e o cantar
Dizendo que era pecado aquele livre festejar
Em quinhentos e noventa, a Igreja adotou
Transformou em cultos oficiais e o povo espantou
Cadê a alegria? Cadê a conquista real?
Só no Concílio de Trento a festa voltou a ser popular no final
E do além-mar, o entrudo português chegou
No século dezessete, essa terra colonizou
Era água, farinha e ovo jogados no ar
Um grito de liberdade antes da Quaresma começar
Vem mascarado, vem de Pierrô
Colombina e Rei Momo, a Europa emprestou
O Carnaval no Brasil ganhou vida e cor
A maior festa do mundo que o povo adotou
O século dezenove trouxe nova luz
Surgem os primeiros blocos que o cordão conduz
Carros decorados, os corsos a desfilar
A origem da alegoria que hoje faz a Sapucaí brilhar
As marchinhas chegaram pro povo embalar
E lá no Rio, Ismael Silva fez o samba ecoar
A Deixa Falar foi a primeira escola a nascer
Virou Estácio de Sá para a história erguer
Verso IV
A folia cresceu de São Paulo ao Rio de Janeiro
Ligas e campeonatos disputados o ano inteiro
Mas no Nordeste, a tradição pura se manteve de pé
Recife e Olinda no frevo, maracatu e afoxé
Tem boneco gigante desfilando no chão
E em Salvador, o Trio Elétrico arrasta a multidão
Do Olodum ao Filhos de Gandhi, o canto é de fé
O Carnaval é do povo, é da cor que ele é
Vem mascarado, vem de Pierrô
Colombina e Rei Momo, a Europa emprestou
O Carnaval no Brasil ganhou vida e cor
A maior festa do mundo que o povo adotou