Ciclo Da Esperança – Cidinha de Almeida Letra
Janeiro
Ó ano nascente, ó Sol com luz radiante
Acorda o campo e a flor que a sombra embala
E, na oficina ou na seara galante
O riso do trabalho o dia fala
Fevereiro
Ó Sol declina, a luz é menos viva
A tarde cai, dourando a vinha e o trigo
É a natureza, calma e pensativa
Parece conversar com seu amigo
Março
O outono vem, a folha, em seu caminho
Vai-se soltando, amarela e Serena
E o passarinho, no seu pequeno ninho
Dorme, sonhando com a flor pequena
Abril
A chuva cai, o céu de cinza se veste
A terra bebe a água, a vida renovada
E o lavrador, no seu trabalho agreste
Sente o prazer que a esperança provoca
Maio
As flores brilham, num festival de cores
E a primavera, em seu esplendor vago
Espalha o aroma pelas matas e flores
Como um perfume num cristal de lago
Junho
O frio chega, a noite se prolonga
À lareira, a família se reúne
É uma velha história, que a memória junto
Faz com que o amor no coração se sintonize
Julho
O vento sopra, num lamento agudo
E o campo dorme sob a névoa fria
Tudo é silêncio, tudo é medo, tudo
Espera a volta da luz do novo dia
Agosto
O Sol retoma a força que escondia
O dia cresce, o campo se ilumina
E a vida brota com mais energia
Na paz do prado que o horizonte ensina
Setembro
Renascem os campos, a esperança acorda
A terra se veste de gala
E a alma do homem, que a tristeza acorda
Sente que a vida, afinal, não se cala
Outubro
A luz é intensa, ó calor nos invade
O guerrilheiro na fruteira
E a gente sente, com tanta importância
O gozo santo da vida verdadeira
Novembro
O ano termina, mas a luz persiste
O Sol, cansado, mas ainda potente
Data o balanço do que o tempo assiste
No olhar tranquilo de quem vive contente
Dezembro
O ano se encerra, a paz é o presente
As luzes brilham no céu e na terra
E a gente abraça, com o coração ardente
O novo ciclo que o futuro encerra
Venham os meses desfilando
Cante cada um por sua vez
Dancemos todos, ouvindo
O que nos conta cada mês
Eu sou o mês primeiro
Minha canção
Dou olhares e presentes
E os corações contentes
Quando apareço, os sinos
Começam cristalinos
A espalhar o som alegre
Saia da roda o mês primeiro
Prossiga a dança jovial
E entre na roda fevereiro
Que é o mês do carnaval
Venham os meses desfilando
Cante cada um por sua vez
Dancemos todos, ouvindo
O que nos conta cada mês
É o mês mais jovial
É o mês da mascarada
Da alegria desvairada
Das festas do carnaval
Pois já passou a sua vez
Entre na roda o mês terceiro
Venha outro mês, venha outro mês
Venham os meses desfilando
Venha cada um por sua vez
Dancemos todos, ouvindo
O que nos conta cada mês
Março, que se adianta
Traz a semana santa
Em que Jesus morreu
Foi pela humanidade
Que ele, todo bem
Viveu e padeceu
Que, mártir
Morreu sobre o calvário
Nos braços de uma cruz
Março morreu, prossiga a dança
Prossiga a ronda juvenil
E vamos ver que mês avança
É o mês de abril
É o mês de abril
Passem os meses desfilando
Venha cada um por sua vez
Dancemos todos, escutando
O que nos conta cada mês
Eu sou abril
De frutos e de flores
Abril o outono encerra
Dancemos todos outra vez
Entre na roda o mês de maio
Saia da roda o quarto mês
Passem os meses desfilando
Venha cada um por sua vez
Dancemos todos, ouvindo
O que nos conta cada mês
Maio
Dai-me vivas, dai-me palmas
Exultem todas as almas
Cheias de um vivo fulgor
Todo o Brasil, congregado
Saúde o mês consagrado
Da liberdade e do amor
Treze de maio, a data
Findou de toda uma escravidão
Aos beijos, dando-se as mãos
Os brasileiros se uniram
E o ódio aboliram
Ficando todos irmãos
Maio já deu o seu recado
Prossiga, em danças, a função
Entre na roda o mês amado
O alegre mês de São João
Passem os meses desfilando
Venha cada um por sua vez
Dancemos todos, ouvindo
O que nos conta cada mês
Em chamas alvissareiras
Ardem, crepitam fogueiras
E os espaços de S, João
Vão luzir, entre as neblinas
Como estrelas pequeninas
Entre as outras, na amplidão
Fogos alegres, pistolas
Bombas, ao som das violas
Ardei, cantai, crepitai
Num largo e claro sorriso
Seja a terra um paraíso
Folgai, crianças, folgai
Aí vem julho, o mês do frio
Vamos os corpos, acelerando o rodopio
Pode outro mês aparecer
Mais curtos são os dias
As horas são mais frias
E custam a passar
Que o descanso
Na calma, no remanso
Na placidez do lar
Passem os meses desfilando
Venha cada um por sua vez
Dancemos todos, ouvindo
O que nos conta cada mês
Com as chuvas derradeiras
Molham-se as verdes palmeiras
E os canteiros do jardim
Que o tempo não melhore
Deixemos em paz lá fora
O balanço e o trampolim
Fugiu agosto, pede entrada
Um novo mês que vai dar
A primavera perfumada
É o nono mês que vai entrar
Passem os meses, desfilando
Venha cada um por sua vez
Dancemos todos, ouvindo
O que nos conta cada mês
Eu trago a primavera
Trago a aprazível era
De festins
Mais belas, mais viçosas
Surgem sorrindo como rosas
E as dálias nos jardins
Sou o jovial setembro
E como os brasileiros me lembram
Um rival de dados sem
É o sete de setembro
O Brasil ficou independente
E isso não é nada mal
Adeus, setembro, já descobri
Cheio de flores, a cantar
Lépido e alegre, o mês de outubro
Que em nossa roda você quer entrar
Passem os meses desfilando
Venha cada um por sua vez
Dancemos todos, ouvindo
O que nos conta cada mês
Outubro
Foi neste mês que, por mares
Cheios de areias e azares
Cristóvão Colombo viu
Um novo e esplêndido mundo
Surgir do oceano
E a América descoberta
Um outro mês já pede entrada
Deixem-no entrar, que é sua vez
Em nossa roda bem formada
Entre cantando um outro mês
Passem os meses desfilando
Venha cada um por sua vez
Dancemos todos, ouvindo
O que nos conta cada mês
Neste mês, compremos ramos
De belas flores, e vamos
Aos cemitérios orar
Só pode ser bom na vida
Quem, com calma comovida
Sabe os mortos recordar
Dançai, dançai mais vivamente
Saia novembro, e entre, a cantar
O mês querido que, contente
As férias vêm
Passem os meses desfilando
Venha cada um por sua vez
Dancemos todos, ouvindo
O que nos conta cada mês
Deixemos as coisas sérias
Sou o belo mês das férias
O belo mês do Natal
Crianças, tende saudade
Da casa, da liberdade
O carinho materno
E assim terminamos
Os meses a cantar
Que venha o ano novo
Para cantar e recomeçar