É Noite de Encantaria – Astrikos Katoikos Letra
Bate o couro no barracão
Cheira a breu, benjoim e patchuli
Uma Lua derrama luz leitosa
Sobre os quintais do Piauí
Há festa nas bandas de Codó
Há murmúrios de maracás e ninguém está só!
Quem chega nem sempre pergunta
Escuta o tambor e logo fica
Um velho carrega fitas coloridas
Uma moça trouxe promessas esquecidas
Uma criança persegue vaga-lumes
Entre folhas de aninga, juçara e betumes
É noite de Encantaria!
A mata conhece o que o tempo não levou
Légua Boji vem sorrindo pelas bandas do Maranhão
Barba Soeira abre suas moradas
Nas correntezas do invisível
Debaixo da luz das velas, há alegria e união
Não moram em livros antigos
Habitam festas, rezas e panelas fumegantes
Conhecem o cheiro do arroz de cuxá
O doce do burití maduro, deslumbrante
O rumor das águas do Itapecuru
E os caminhos das palmeiras de babaçu
Quando o tambor anuncia sua chegada
Ninguém pergunta qual século passou
Há somente o espanto dessa jornada
Um lenço branco acompanha o batuque
Muitas gerações dividem a mesma melodia
Sob as bênçãos da antiga Encantaria
Légua Boji conhece cada varanda iluminada
Barba Soeira conhece o perfume das relvas
João da Mata passeia entre os cajueiros
Muitas histórias nasceram à beira dos terreiros
E Codó continua desperta em vibração
Quando agosto veste roupas de celebração
É noite de Encantaria!
A mata conhece o que o tempo não levou
Légua Boji vem sorrindo pelas bandas do Maranhão
Barba Soeira abre suas moradas
Nas correntezas do invisível
Debaixo da luz das velas, há alegria e união
Nenhuma estrada termina onde os olhos alcançam
Há jardins ocultos nas folhas e estrelas
Tem tambores que preservam mais do que memórias
E quando a madrugada visita os terreiros
Os encantados prosseguem seus velhos roteiros
Nas bandas de Codó ainda ressoa o couro do tambor
A Lua prossegue seu ofício sobre as matas do Maranhão
E a Encantaria, paciente como uma cabomba submersa
Insiste convidando o mundo para sua festa
É noite de Encantaria!
A mata conhece o que o tempo não levou
Légua Boji vem sorrindo pelas bandas do Maranhão
Barba Soeira abre suas moradas
Nas correntezas do invisível
Debaixo da luz das velas, há alegria e união