Astrikos Katoikos – O Amanhecer (Letra & Video)

O Amanhecer – Astrikos Katoikos Letra

O amanhecer não nasce: Ele impõe

Como um veredito sem tribunal

Rompe a noite que se decompõe

Em restos de um pacto ancestral

A luz não veio corrigir o fracasso

Nem separar virtude de engano

Limitou-se a expor, no mesmo espaço

A matéria densa e exata do humano

Tudo o que dormia no intervalo

Entre o cansaço e a lucidez

Retorna sem metáfora ou halo

À crueza elementar do talvez

O amanhecer não pede fé nem nome

Não se rende ao sofrimento que o evoca

Ele passa, e ao passar consome

Toda ilusão que ainda nos toca

O amanhecer não pede fé nem nome

Não se rende ao sofrimento que o evoca

Ele passa, e ao passar consome

Toda ilusão que ainda nos toca

Nenhuma promessa governa o céu aberto

Nem lição escondida no fulgor do dia

A manhã apenas expõe, em movimento incerto

A repetição exata do que já existia

Quem atravessou a noite sem amparo

Conhece o custo exato da vigília

Viver não lhe pareceu gesto raro

Mas tensão contínua contra a inércia do dia

E quando o Sol, enfim, se estabelece

Sem júbilo, culpa ou direção

Resta ao humano aquilo que permanece

Habitar o tempo, sem redenção

O amanhecer não pede fé nem nome

Não se rende ao sofrimento que o evoca

Ele passa, e ao passar consome

Toda ilusão que ainda nos toca

O mundo retorna sem preparo algum

Alheio ao que a memória consagrou

Nada ali responde ao comum

Nada deve ao sentido que a história criou

O que chamam início é só fratura

Na continuidade do escuro extenso

Toda manhã confirma a estrutura

Da realidade que dispensa consenso

Assim o dia insiste, indiferente

À esperança, ao medo, e a cada perversão

Ser manhã é apenas ser presente

No curso impessoal da iluminação

O amanhecer não pede fé nem nome

Não se rende ao sofrimento que o evoca

Ele passa, e ao passar consome

Toda ilusão que ainda nos toca

O dia inteiro apenas é, agora

A mente solta o que a aprisiona

Sem buscar dentro ou fora

A alvorada vem, e impulsiona

O amanhecer não pede fé nem nome

Não se rende ao sofrimento que o evoca

Ele passa, e ao passar consome

Toda ilusão que ainda nos toca

Advertisement