O Último Andar – Cidinha de Almeida Letra
Troc, troc, troc, troc, ligeirinhos, ligeirinhos
Troc, troc, troc, troc, vão cantando os tamanquinhos
Madrugada, troc, troc, pelas portas dos vizinhos batendo
Troc, troc, vão cantando os tamanquinhos
Enquanto não tem foguetes para ir à Lua
Os meninos deslizam de patinete pelas calçadas da rua
Vão cegos de velocidade, mesmo que quebrem o nariz
Que grande felicidade, ser veloz é ser feliz
Vamos embalar as flores?
As flores querem dormir
Já não se escutam rumores
E a noite não tarda a vir
La-lá-la-ri-la-lá-lá-lá
O sonho de Olga
Uma espuma com letras de alga
O sonho de Olga
No último andar é mais bonito
Do último andar se vê o mar
É lá que eu quero morar
O último andar é mais longe
Custa muito a lá chegar
Mas é lá que eu quero morar
Eu ando sozinha no meio do vale
Mas a tarde é minha
Meus pés vão pisando a terra que é a imagem da minha vida
Tão vazio, mas tão bela, tão certa, mas tão perdida
Eu ando sozinha ao longo da noite
Mas a estrela é minha
Olha a bolha na mão que trabalha
Olha a abertura de sabão na palha
Brilha, espelha e se espalhar
Esta menina tão pequenina quer ser bailarina
Não conhece nem dó nem ré
Mas sabe ficar na ponta do pé
Quem me compra um jardim com flores?
Borboletas de muitas cores
Lavadeiras e passarinhos
Ovos verdes e hortícolas nos ninhos?
Na chácara do Chico Bolacha
O que se procura nunca se acha
Não sei se brinco, não sei se estudo
Se saio correndo ou fico tranquilo
Mas não consegui entender ainda
Qual é melhor, se é isto ou aquilo